O MEC – Ministério da Educação do Brasil, deve mesmo realizar mudanças nas propostas à Base Nacional Comum Curricular. O instituto recebeu centenas de críticas ao guia de referência sobre o que deve ser ensinado nas escolas do país. Diretores do MEC informaram que deverão realizar mudanças nos documentos.

“Temos modificações. Mas não é uma nova versão ou grande o suficiente para dizer que mexeu substancialmente na estrutura. É o documento mais complexo da educação em décadas”, afirmou o secretário de educação básica do MEC, Rossieli Soares da Silva.

Segundo ele, as mudanças, feitas em parceria com o CNE (Conselho Nacional de Educação), devem ocorrer antes da votação de parecer do órgão, prevista para dezembro. Uma terceira versão da base -que é considerada pelo governo federal como a definitiva – está desde abril em discussão no conselho, que realizou uma série de audiências públicas e esteve aberto a colaborações. Inicialmente, porém, o MEC mantinha um discurso de que a análise no âmbito do CNE deve ser limitada, e que cabe ao órgão emitir um parecer e uma resolução para implementação.

Nas áreas de língua portuguesa, de tecnologia e ciências, por exemplo, residem críticas consideráveis. “O que se vê é que o documento precisa de modificações. Mas na área de alfabetização as críticas são maiores”, diz Antonio Augusto Batista, coordenador de pesquisas do Cenpec (Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária).

O presidente do conselho, Eduardo Deschamps, nega que haja uma quarta versão, mas admite mudanças. A base vai prever o que escolas públicas e privadas devem ensinar a cada ano da educação básica (da creche ao ensino médio). A norma vai orientar escolas na elaboração de currículos e a produção de livros didáticos. Após o MEC apresentar uma primeira versão da base, em setembro de 2015, houve uma consulta pública na internet.

O MEC sistematizou as indicações e recebeu críticas de especialistas para construir a segunda e terceira versões. Desta última, foi retirada e adiada a parte do ensino médio. Cerca de 20% dos arquivos têm como mote a volta de conteúdo de ensino religioso, que foi suprimido na terceira versão. Já é consenso no CNE a reintegração do ensino religioso. Outros 8% dos documentos falam da questão de gênero. O MEC retirou da terceira versão, de última hora, menções às expressões “identidade de gênero” e “orientação sexual”. O termo aparecia, por exemplo, em capítulo que fala sobre a importância da base para que o país tenha “equidade” no ensino.

Fonte: http://www.valor.com.br/